quarta-feira, 18 de abril de 2012

 Ressurreição de Jesus

Se a ressurreição de Jesus fosse fraude, os judeus a teriam desmentido
A ressurreição de Jesus é um fato histórico inegável. O primeiro acontecimento da manhã do Domingo de Páscoa foi a descoberta do sepulcro vazio (cf. Mc 16, 1-8). Ele foi a base de toda a ação e pregação dos Apóstolos e foi muito bem registrada por eles. São João afirma: “O que vimos, ouvimos e as nossas mãos apalparam isto atestamos” (1 Jo 1,1-2).
Jesus ressuscitado apareceu a Madalena (Jo 20, 19-23); aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-25), aos Apóstolos no Cenáculo, com Tomé ausente (Jo 20,19-23); e depois, com Tomé presente (Jo 20,24-29); no Lago de Genezaré (Jo 21,1-24); no Monte na Galiléia (Mt 28,16-20); segundo São Paulo “apareceu a mais de 500 pessoas” (1 Cor 15,6) e a Tiago (1 Cor 15,7).
São Paulo disse: “Porque antes de tudo, ensinei-vos o que eu mesmo tinha aprendido que Cristo morreu pelos nossos pecados [...] e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e foi visto por Cefas, e depois pelos Onze; depois foi visto por mais de quinhentos irmãos duma só vez, dos quais a maioria vive ainda hoje e alguns já adormeceram; depois foi visto por Tiago e, em seguida, por todos os Apóstolos; e, por último, depois de todos foi também visto por mim como por um aborto” (1 Cor 15, 3-8).
“Deus ressuscitou esse Jesus, e disto nós todos somos testemunhas” (At 2, 32), disse São Pedro no dia de Pentecostes. Diz São Pedro no dia de Pentecostes: “Saiba com certeza toda a Casa de Israel: Deus o constituiu Senhor (Kýrios) e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes” (At 2, 36).“Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos” (Rm 14, 9). No Apocalipse, João arremata: “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos, e tenho as chaves da Morte e da região dos mortos” (Ap 1, 17s).
A primeira experiência dos Apóstolos com Jesus ressuscitado foi marcante e inesquecível: “Jesus se apresentou no meio dos Apóstolos e disse: “A paz esteja convosco!” Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: “Por que estais perturbados e por que surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! “Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles” (Lc 24, 34ss).
Aos Apóstolos amedrontados, que julgavam ver um fantasma, Jesus pede que o apalpem e verifiquem que tem carne e ossos.
Nada disto foi uma alucinação, nem miragem, nem delírio, nem mentira, e nem fraude dos Apóstolos, pois se tratava de pessoas muitos realistas que, inclusive, duvidaram a princípio da Ressurreição do Mestre. A custo se convenceram. O próprio Cristo teve que falar a Tomé: “Apalpai e vede: os fantasmas não têm carne e osso como me vedes possuir” (Lc 24,39). Os discípulos de Emaús estavam decepcionados porque “nós esperávamos que fosse Ele quem restaurasse Israel” (Lc 24, 21).
Estes depoimentos “de primeira hora”, concebidos e transmitidos pelos discípulos imediatos do Senhor, são argumentos suficientes para dissolver qualquer teoria que quisesse negar a ressurreição corporal de Cristo. Esta fé não surgiu “mais tarde”, como querem alguns, na história das primeiras comunidades cristãs, mas é o resultado da missão de Cristo acompanhada dia a dia pelos Apóstolos.
Os chefes dos judeus tomaram consciência do significado da Ressurreição de Jesus, e, por isso, resolveram dissipá-la: “Deram aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro, recomendando: “Dizei que os seus discípulos vieram de noite, enquanto dormíeis, e roubaram o cadáver de Jesus. Se isto chegar aos ouvidos do Governador, nós o convenceremos, e vos deixaremos sem complicação”. Eles tomaram o dinheiro e agiram de acordo com as instruções recebidas. E espalhou-se esta história entre os judeus até o dia de hoje” (Mt 28, 12-15).
E Jesus morreu de verdade, inclusive com o lado perfurado pela lança do soldado. É ridícula a teoria de que Jesus estivesse apenas adormecido na Cruz. Os Apóstolos só podiam acreditar na Ressurreição de Jesus pela evidência dos fatos, pois não estavam predispostos a admiti-la; ao contrário, haviam perdido todo ânimo quando viram o Mestre preso e condenado; também para eles a ressurreição foi um escândalo. Eles não tinham disposições psicológicas para “inventar” a notícia da ressurreição de Jesus ou para forjar tal evento. Eles ainda estavam impregnados das concepções de um messianismo nacionalista e político, e caíram quando viram o Mestre preso e aparentemente fracassado; fugiram para não serem presos eles mesmos (Cf. Mt 26, 31s); Pedro renegou o Senhor (cf. Mt 26, 33-35). O conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus.
É de se notar ainda que a pregação dos Apóstolos era severamente controlada pelos judeus, de tal modo que qualquer mentira deles seria imediatamente denunciada pelos membros do Sinédrio. Se a ressurreição de Jesus, pregada pelos Apóstolos não fosse real, se fosse fraude, os judeus a teriam desmentido, mas eles nunca puderam fazer isto.
Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor. Será que em nome de uma fantasia, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? É claro que não. Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? O testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava. O edifício do Cristianismo requer uma base mais sólida do que a fraude ou a debilidade mental. Assim, é muito mais lógico crer na Ressurreição de Jesus do que explicar a potência do Cristianismo por uma fantasia de gente desonesta ou alucinada.
A Ressurreição de Jesus é ponto fundamental da fé cristã, a ponto que São Paulo pode dizer: “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação; vazia também é a vossa fé... Se Cristo não ressuscitou, vazia é a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15, 14.17).
A Ressurreição de Jesus é a base da fé; São Paulo chama Cristo ressuscitado “o Primogênito dentre os mortos” (Cl 1, 18). A Ele, ressuscitado em primeiro lugar, seguir-se-á a ressurreição dos irmãos:“Cada qual na sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, por ocasião da sua segunda vinda; a seguir, haverá o fim” (1Cor 15, 23s).

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Quinta-feira Santa

A quinta-feira santa é o dia do Cenáculo, o dia da intimidade, tal como a quis e viveu Jesus. A Igreja, na quinta-feira santa, retorna à mesa da última ceia e revive com emoção o gesto do lava-pés. Um gesto extraordinário e com uma mensagem cujo significado jamais se conseguirá esgotar. Vejam que coisa incrível: Jesus, o Verbo Encarnado, Deus presente no meio de nós, o Infinito, o Onipotente, simplesmente se ajoelha diante dos apóstolos e lava os pés deles. Somos chamados a fazer como ele, ou seja, em nossas vidas ter gestos de serviço mútuo tornando presente o amor de Jesus. 


Ainda na quinta-feira santa a Igreja revive a emoção do dom do sacerdócio. Jesus escolhe homens, como seus apóstolos, e lhes convida a continuar a missão emprestando os olhos, a boca, os ouvidos, o coração, as mãos e os pés exercendo o pastoreio fazendo as vezes de Cristo o Pastor do meu rebanho. Um dom extraordinário o sacerdócio! E no sacerdócio o dom da Eucaristia: a última ceia que se atualiza. A ceia que se torna o alimento cotidiano da comunidade dos discípulos que esperam o retorno de Jesus. E enquanto espera o retorno de Jesus, celebra a presença de Cristo na Eucaristia: o pão dos peregrinos, o pão daqueles que caminham, o pão daqueles que têm muito que percorrer para alcançar a meta. E igualmente a quinta-feira santa é o dia do dom do grande mandamento: o mandamento do amor, o mandamento que nos diferencia, o mandamento que nos faz o povo da Nova Aliança. “Amai-vos como eu vos amei”, até o fim, até o gesto extremo de dar a vida. Portanto, a quinta-feira santa é o dia em que a Igreja deve continuamente reviver, continuamente revisitar para que possa ser Igreja.

A Eucaristia é o grande dom que Jesus nos deixou neste tempo de espera. é a presença de Jesus em nosso meio, a presença no gesto de amor. É preciso redescobrir e aprofundar e bem celebrar a eucaristia que deve ser preparada e, depois de celebrada, ser continuamente 
retomada para que, seja o centro de nossa vida. Conta-se que uma vez Edith Stein, ainda na penumbra da busca da fé, entrou por curiosidade artística em uma igreja de Colônia e ficou impressionada ao ver que algumas pessoas rezavam diante do sacrário. Diante do fato percebeu que algo a tocou, pois teve uma clara impressão de que aquelas pessoas estavam falando com Alguém. Vemos como seria muito importante recuperar certos gestos, aprofundar a nossa vida e celebração e, neste dia, em que celebramos a Páscoa da Ceia, preparando-nos para a Páscoa da Morte na Cruz e a Páscoa da Ressurreição renovemos a nossa ação de graças por todos os bens que recebemos do Senhor. Que a Eucaristia, fonte e o ápice de nossa vida cristã, encontre eco em nossa vida cotidiana e hoje se renove com generosidade.

Mais fotos da Investidura

Hora das Promessas

Do lado direito com blusa branca: Jhonatan Correira, de blusa azul: Ávilo Santos.

Benção das Vestes





Ávilo e sua mãe Socorro

Tamyres com sua madrinha Francisca e seu padrinho Roberto

Jhonatan com Marinete (lado esquerdo) e Nizomar (lado direito)

Jhonatan, Tamyres, Marinete e Ávilo

Investidura de Novos Coroinhas

Foi com grande felicidade que no último domingo (01/04/12) na solenidade da Missa de Ramos foram investidos 20 coroinhas, Inclusive: Tamyres Moreira da Silva, Francisco Jhonatan Correia da Silva e Francisco Ávilo dos Santos Silva. Em uma belíssima Missa, presidida pelo Pe. Francisco Bruno Xavier.

Após muitos meses de luta e preparação o grande dia enfim chegou, todos muito ansiosos e felizes em viver este grande momento em suas vidas, receberam as novas vestes que foram abençoadas e fizeram o juramento do seu serviço ao altar e a santa liturgia diante de toda a comunidade reunida. Por fim, uma mensagem de agradecimento.


Abaixo a mensagem de agradecimento: 

Ser coroinha é estar a serviço: a serviço do altar e do próximo. Servir ao altar não é apenas ajudar o padre, transportar os objetos litúrgicos ou executar as funções que lhe são próprias. Servir ao altar é muito mais: é participar do Mistério Pascal de Cristo, ou seja, da Paixão-Morte-Ressureição de Cristo. Servir ao altar é estar aos pés da cruz, é contemplar o Cristo ressuscitado com os olhos da fé e viver alegremente o Evangelho.

Estar a serviço do próximo é estar pronto para a doação e a entrega, é ser amparo e consolo para os que necessitam, é saber amar e viver a caridade. A vida de Cristo foi dedicada a servir o próximo. Da mesma, forma os coroinhas são chamados a servir como Cristo.

No seu serviço deve-se buscar sempre a alegria e a disposição, o contato fraterno e amigo, o respeito e a dedicação às coisas sagradas. O jovem deve demonstrar que vive sua fé, que observa os Mandamentos de Deus e que procura sempre ser justo e correto. Deve continuamente dar testemunho de que Cristo é o seu Senhor e Mestre.

Na vida de coroinha a oração é fundamental. É pela oração que o jovem aprende a se relacionar com Deus, a se tornar íntimo do Senhor. Na oração recebem-se as graças de Deus, o auxílio para os momentos difíceis e a força para superar o pecado e as falhas pessoais. Sem oração não se pode servir ao altar, pois como vamos estar com Cristo se não temos intimidade com Ele? É a oração que permite ao jovem exercer o seu serviço ao próximo e ao altar de forma digna.

Ser coroinha é viver a Eucaristia, é viver Cristo em todos os momentos da vida. A Eucaristia é a fonte de todas as graças, é alimento que fortalece a alma e nos conduz ao Pai. Ao viver a Eucaristia, os jovens servidores do altar vivem o seu ministério de serviço com mais dignidade, dedicação, oração e amor e, assim, santifica-se e aproxima-se cada vez mais de Deus.

Com esta mensagem gostaríamos de agradecer primeiramente a Deus, pela graça de nos chamar a este serviço; a Nossa Senhora, neste dia em especial, por estar sempre junto ao Pai intercedendo por todos nós. E a todos os que nos apoiaram e que nos deram forças para seguir e chegar a esse momento de nossas vidas. Aos padres: Pe. Francisco Francinaldo de Castro e Pe. Francisco Bruno Xavier, nossos pastores, aos nossos pais aos nossos coordenadores: Sormani, Jairo e Zé Paulo, que nos instruiu para que empenhados possamos servir o mais dignamente possível o altar de Deus na Santa Missa. Pedimos também a todos vocês, para que sempre nos coloquem em suas orações para que continuemos servindo com grande amor a Jesus na Santa Missa.
 Mensagem lida pelo Mero Coroinha Francisco Ávilo dos Santos Silva.
Confira Algumas Fotos



sábado, 31 de março de 2012

Dia Nacional da Coleta da Solidariedade

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Neste domingo, dia 1º de abril, dioceses, paróquias e comunidades de todo país celebrarão o Domingo de Ramos, dia em que os cristãos de todo o mundo fazem memória a entrada de Jesus em Jerusalém. É nesta data que a Igreja realiza a Coleta Nacional da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade, em que todas as doações financeiras realizadas pelos fiéis farão parte dos Fundos Nacional e Diocesano de Solidariedade.

Domingo de Ramos: dia da Coleta Nacional da Solidariedade


Voltado para o apoio a projetos sociais, os fundos são compostos da seguinte maneira: 60% do total da coleta permanecem na diocese de origem e compõe o Fundo Diocesano de Solidariedade e 40% são destinados para o Fundo Nacional de Solidariedade. O resultado integral da coleta da Campanha da Fraternidade de todas as celebrações do Domingo de Ramos será encaminhado à respectiva diocese.
Em 2012, com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, a Campanha da Fraternidade (CF) reflete junto aos seus fiéis temas como a atual situação do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o texto base da CF 2012, dados do IBGE mostram que enquanto os mais ricos usam a maior parte de seu orçamento com saúde no pagamento de planos privados, os mais pobres têm os remédios como item de maior consumo de seus gastos com saúde.

Veja a destinação dos recursos em 2011

     Em 2011 o fundo Nacional de Solidariedade recebeu, até o dia 20/10/2011, R$ 4.734,65. Este valor representa 40% dos recursos arrecadados na Coleta Nacional da Solidariedade deste ano. Até outubro de 2011 foram apoiados 121 projetos sociais. Em 12 anos o Fundo Nacional da Solidariedade já apoiou 1.903 projetos por todo Brasil. 

VAMOS MULTIPLICAR ESSA REDE NACIONAL DE SOLIDARIEDADE!
PARTICIPE!

Sua contribuição pode ser feita também por depósito bancário.
Caixa Econômica Federal Ag.: 2220 - C/C 20-1 CNBB - Operação: 003

"Ser Solidário é Ser Humano"
Últimos dias de Jesus...'
Seguir Jesus é estar disposto a transformar o mundo...'




Cada um de nós tem lá suas ideias a respeito de como deve se apresentar e como deve ser tratada uma pessoa importante. Acabamos projetando em Jesus essas concepções. É natural! Faz parte da nossa maneira de entender a vida. Por isso, quando se faz um filme da vida de Cristo, tudo é muito bonito e respeitoso. Até a crucificação é filmada com certa grandiosidade, colorido e iluminação adequada, para solenizar o momento sagrado.

Será que já nos demos conta de que os últimos dias da vida de Jesus não foram exatamente assim? Conseguimos imaginar o Senhor sendo torturado numa delegacia de hoje, sem cenário solene, tratado como “Zé-ninguém”, na crueza do dia a dia da violência humana? Entre a entrada festiva como rei em Jerusalém e o deboche da flagelação e da coroação de espinhos e da inscrição na cruz (Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus), somos levados a pensar: Que tipo de rei o povo queria? E que tipo de rei Jesus, de fato, foi?

O povo ansiava por um Messias, mas cada um o imaginava de um jeito: poderia ser um rei, um guerreiro forte que expulsasse os romanos, um “ungido de Deus”, capaz de resolver tudo com grandes milagres. É verdade que havia também textos que falavam do Messias sofredor, que iria carregar os pecados do povo. Mas essa ideia tão estranha não tinha assim muito apelo. Talvez o povo pensasse como muita gente de hoje: “De sofredor já basta eu! Quero alguém que saiba vencer”.

Deus, como de costume, exagera na surpresa. O Messias, além de não vir alardeando poder, entra na fila dos condenados. Para quem não olhasse a história com os olhos de hoje, não haveria muita diferença entre as três cruzes no alto do Monte Calvário. O processo, a condenação e a execução de Nosso Senhor Jesus Cristo foram uma grande coleção de desrespeitos aos direitos humanos. O julgamento foi rápido, sem provas suficientes, sem direito de defesa. A tortura precede a morte, e a humilhação faz parte da pena.

Como logo depois vem a ressurreição, ascensão, glória etc... esquecemos depressa a imagem de Jesus como servo indefeso, como um judeu sem importância a quem as autoridades mandaram para a morte com aquele pouco caso com que costumam, tantas vezes, ser tratados até hoje os direitos dos pobres, especialmente, quando estes são acusados de algum delito, falso ou verdadeiro. “Este homem era realmente o Filho de Deus”. Esta é a conclusão do centurião que comandou a crucificação. Isso sabemos nós hoje, à distância de mais de dois mil anos, acostumados a honrar Jesus de todas as formas.

Que estranho rei e Filho de Deus é esse que se submete à tortura, que se deixa confundir com os dois ladrões que morrem a Seu lado? Percebemos que Deus está assumindo aí todos os nossos pecados e todas as nossas tragédias? Que está participando do destino de todos os que sofrem, inocentes e culpados? Quem está tomando posição diante da dor humana?

Não basta trazer flores para o crucifixo, louvar a Cristo com ramos bentos, fazer questão de ser chamado de cristão. Será que Jesus se contenta com isso tudo se não tivermos solidariedade com aqueles que hoje são companheiros de cruz de Nosso Senhor e nossos ritos não traduzirem nossa fé?

Estamos já no século XXI. São dois milênios em que nos acostumamos com o Cristo aclamado, nos habituamos com o símbolo da cruz, oramos ao Cristo poderoso nas necessidades. Será que não está na hora de perceber e viver melhor o apelo que nos vem do Filho de Deus, que aceitou ser um judeu sem defesa, a quem os poderosos trataram como um malfeitor?

Precisamos ser, como Jesus, uma Igreja servidora, missionária, evangelizadora e solidária com os que sofrem, compassiva com os caídos, disposta a transformar a injustiça do mundo, confiando mais na força do amor do que no poder.